21/06/2010

Mais um crime de abuso policial, desta vez na Amadora



“Às 4:55 horas da madrugada de domingo 14 de Junho, no Parque Central da Amadora, um grupo de jovens, entre os quais Jakilson Pereira, 26 anos, licenciado em Educação Social, desempregado e candidato a bolsa de investigação, dirigiam-se para a Mina, Amadora.

Jakilson, que também é rapper e é mais conhecido como Hezbollah, agachou-se para apertar os atacadores dos ténis. De repente sentiu um automóvel aproximar-se dele. Levantou a cabeça e viu um homem com uma arma apontada na sua direcção que gritou “Caralho!” Assustado, Hezbollah correu na direcção do seu amigo Flávio Almada, 27 anos, estudante finalista do curso de Tradução da Universidade Lusófona, também rapper e mais conhecido como LBC, mediador sociocultural na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira e formador musical de jovens inseridos no Projecto Escolhas do Moinho da Juventude e da Comissão de Moradores da Cova da Moura. LBC disse ao agressor: “Ele está desarmado!”, referindo-se ao seu amigo Hezbollah. Nesse momento, o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. O homem estava fardado, era da PSP e tinha sido transportado para o local por um automóvel da PSP.

Hezbollah continuou a fugir e foi esconder-se por trás de um automóvel junto à Estação dos Correios, observando a progressão do agente da PSP que o procura de arma na mão. O agente detecta-o e corre na sua direcção. Sai outro agente do automóvel e ambos cercam Hezbollah. Agarrando-o sob ameaça da arma, começaram a pontapeá-lo. Chega um automóvel Volkswagen Golf preto, com dois polícias à paisana. Enquanto um dos agentes fardados algema Hezbollah, obrigando-o a deitar-se de barriga no chão, o outro polícia fardado volta a dar-lhe pontapés. Um dos agentes à paisana exclama: “Deixa o rapaz!”

Entretanto LBC tinha-se aproximado para tentar socorrer o amigo. Os polícias fardados agarram-no, deitam-no ao chão e algemam-no, pontapeiam-no e depois metem-lhe um pé sobre a cabeça e tiram-lhe a carteira e o telemóvel.

Levam-nos – cada um dos detidos no seu automóvel – para a Esquadra da Mina, na Avenida Movimento das Forças Armadas 14. Aí aparece o agente Monteiro e pergunta a Hezbollah, agarrado pelos braços por dois outros agentes para o manterem sentado numa cadeira: “Estás preparado?” e começa a dar-lhe socos e joelhadas na barriga. Hezbollah vomitou em consequência dos dois primeiros socos. LBC também é sovado. Um dos agentes comenta a certa altura: “Aqui estão os dois gajos. Qual de vocês é que tem um caso com a polícia?” Hezzbollah foi absolvido há cerca de um mês da acusação de ter partido dois dedos a um polícia, quando na realidade o que aconteceu foi que, ao voltar para casa à noite, foi cercado por vários polícias, que o deixaram inanimado, sem sapatos e sem casaco, num terreno vago, depois de barbaramente espancado, a ponto de lhe partirem a cana do nariz.

Metem-nos de novo no automóvel e levam-nos para a Esquadra do Casal da Boba, na Amadora. Depois de os encostarem a uma parede, o agente Nunes dessa esquadra dá um forte pontapé no estômago de Hezbollah, enquanto outros agentes o seguram e batem para o impedir de se encolher a proteger-se da agressão. Um dos polícias comenta: “Qualquer dia vão encontrar o teu corpo morto na mata de Monsanto”. Tiram fotografias aos dois detidos. LBC é colocado ao lado de Hezbollah e um dos polícias acusa LBC de ter em seu poder um telemóvel roubado. Ele nega e é-lhe devolvido o telemóvel, que lhe tinha sido confiscado e levado para outra sala, depois de verem as mensagens e chamadas.

Foram levados de novo para a Esquadra da Mina. Lá chegados, os detidos repararam na presença do rapaz e da rapariga com quem Hezbollah e LBC tinham trocado palavras que provocaram uma cena de socos entre Hezbollah e o rapaz, na Estação da Amadora.

Repete-se a cena de Hezbollah, ainda algemado, ser agarrado pelos ombros e braços e agredidos a soco no estômago pelo agente Monteiro. LBC interpela-os dizendo “Porque é que estão a fazer isso?” e foi imediatamente agredido a pontapé pelos dois agentes que o enquadravam.

O agente diz-lhe que vai ter de limpar o vomitado com a boca. Hezbollah recusa-se e o agente Monteiro e o agente Ferreira – que tinha tirado o crachá – Insistem: “Vais limpar, vais limpar” e, segurando-o, lançaram-no por cima do vómito e arrastaram-no para trás e para a frente, como se fosse uma esfregona, até o vómito ensopar por completo as calças, o casaco. Num canto ainda ficou um resto de vómito. O agente Monteiro pega no boné de Hezbollah e lança-o sobre esse canto e, colocando-lhe o pé em cima, esfrega-o sobre o vomitado. O agente Monteiro deixou de lhe dar socos mas passou a dar-lhe pontapés, chamando-lhe “porco”.

Os detidos ficaram ali até às onze horas e tal da manhã, altura em que lhes passaram um papel para comparecerem no Tribunal de Alfragide às 10h do dia 14 de Junho e os deixaram sair da esquadra, depois de, pela primeira vez, os desalgemarem. O documento refere-os como arguidos e acusa-os de “agressão à integridade física”, sem referir a quem.

LBC e Hezbollah passaram todo o dia de domingo nas suas respectivas casas (Reboleira e Amadora respectivamente).

Na 2ª feira apresentaram-se ao tribunal, onde encontraram os agentes Monteiro e o outro torturador, o agente Ferreira, ambos à civil. Também estavam presentes o rapaz e a rapariga com quem Hezbollah tinha trocado palavras e socos na Estação da Amadora. Os polícias deram-lhes dois chocolates Twitters. Perante isto, LBC e Hezbollah disseram no seu depoimento que um amigo deles que estava presente naquele episódio e tentara acalmar os ânimos devia ser chamado para o seu testemunho ser confrontado com o deles. A funcionária do tribunal perguntou a Hezbollah se queria um advogado oficioso e ele recusou,. A funcionária tomou nota de toda a ocorrência, e deu a ler o depoimento aos detidos, que assinaram.

O caso vai ser investigado. A funcionária recomendou a Hezbollah que não lavasse as roupas sujas com vómito.

Neste momento Hezbollah e LBC não têm advogado que os defenda e sabem que, se nada for feito para dar publicidade a esta situação, continuarão a ser alvo da brutalidade policial. Foi o que aconteceu com Tony da Bela Vista, Teti, torturado até morrer de hemorragia interna, Angoi, morto com dois tiros nas costas, PTB abatido dentro do carro, Snake, assassinado com um tiro nas costas quando conduzia o seu automóvel, Corvo, abatido com um tiro na cabeça, Kuku, morto aos 14 anos com um tiro a 12 cm da cabeça, Célé, morto com 62 balas, etc”.

Ana Barradas

12 comentários:

Agnes disse...

não hé palavras para descrever, como é que é possivel??
estou chocada!

SOS PRISÕES disse...

A nossa indignação e a nossa solidariedade.
Caso seja necessário apoio jurídico, contactem connosco.
Abraço!
ACED/SOS Prisões

Billy disse...

Quando são os agentes de segurança pública que provocam insegurança algo de errado está a acontecer.
Creio que na formação de novos agentes lhes dizem: "É preto, é para abater".
Como diz o Gabriel na música Racismo é Burrice "Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem" - obviamente que a pobreza não é desculpa para roubar, pois a maioria dos pobres não roubam, mas é, sem dúvida, uma das principais causas.
Acabo por dizer basta de agentes de autoridade autoritários.

Liga dos Amigos de Fanhais disse...

A policia serve para nos proteger, mas quem nos protege da policia??

Lamentável todos estes casos que têm vindo a publico e todos os outros que são abafados e/ou não são denunciados por medo e vergonha!
Este caso deixa-me particularmente revoltado porque conheço pessoalmente as vitimas.
Fizeram-me ver que há mais para alem do que é noticiado pela comunicação social sobre os bairros como o da Cova da Moura!
O racismo aplica-se a este caso, mas não aos anteriores no bairro alto... é a mentalidade destes porcos que com os distintivos se acham "intocáveis" e abusam do poder que detêm! vendettas pessoais e uso desproporcional da força são praticas quase banais para eles...
BASTA... violência só gera violência!

Não isto não me está a acontecer disse...

A opinião pública é tão facilmente manipulada. Quem acredita no conteúdo deste Artigo?
Meditem um pouco e verão que o que é descrito, não tem pés nem cabeça.
Se o autor quer e se tem como objectivo manipular a opinião pública com este artigo de ficção, está no bom caminho. Continue. Lembrem-se que artigos destes levam a que todos nós sejamos prejudicados.

Billy disse...

A opinião pública é realmente manipulável, as notícias criam realidades inexistentes, os media formam opinião que muitas vezes está vinculada com os grandes centros de poder sejam políticos, económicos ou meramente simbólicos.
A verdade não está do lado de ninguém, pois cada um tem a sua consoante a experiência e as vivências que tem.
No caso desta notícia pode haver algum exagero, mas acho que no essencial ela relata e simboliza bem o que se passa nas esquadras portuguesas e de todo o mundo, onde os polícias abusam do poder que lhes é conferido.

beni8663 disse...

Isto é triste, só se houve uma parte, meus amigos a moeda tem dois lados, pensem lá o quê que dois jovens estavam a fazer aquela hora, naquele local, para a policia intervir com eles, vejam a realidade, parem de tentar criar revolta contra a autoridade, sem autoridade não há estado, decadência total, o desejo de muitos. Fala-se de direitos e garantias, mas de quem? Os que trabalham e fazem pela vida são sempre prejudicados, os criminosos e que não fazem nenhum são constatemenmte protegidos por associações e outros, com que finalidade? essas mesmas associações não se declaram quando esses criminosos batem e matam policias e cidadãos
Quando a policia intervem, com esses individuos, alegam de imediato, perseguição, racismo, exclusião social, será verdade?
E as mensagens que são transmitidas através da musica RAP, a fim de provocar revolta entre niveis socias e autoridades, não se esqueçam que ainda há pouco tempo na França, a situação deveu-se ao facto de liberdade de criminosos de bairros ao longo do anos que eram considerados coitadinhos, pelo nivel social, dando-lhes cada vez mais liberdade de acção e liberdade de expressão através do RAP, passando mensagens de ódio e revolta. O nosso país ainda é lindo, não o estraguem.

RUI disse...

oh" não isto não me ta acontecer..." espero que não sejas o próximo bem vai na volta vives no interior e no interior olha que as coisas (brutalidades,) não são tão pacíficas como alguma vez possas viver, como descreves na tua "peça" é por que tens sorte em nunca passares por situação idêntica ainda bem, mas abre bem os OLHOS, OBSERVA por entre linhas do teu dia a dia vai na volta vais dar muita razão ao que tá descrito aqui mesmo, sabes dói sentir na pele, mais ainda, no músculo só para ser mais directo!!.

Marco disse...

É algo triste como podem acreditar nestas notícias, de facto elas não estão aqui para discutir a verdade, pois estão como alerta para todos aqueles que trabalham para a segurança dos outros, uma vez que desta forma criam uma insegurança na actuação dos polícias, pois estes a próxima vez que forem chamadas para uma situação que tenham que proteger os vossos país, irmãos, filhos e aqueles de quem mais gostam dos verdadeiros Criminosos vão pensar duas vezes pois está em risco uma profissão que foi tão ambicionada no sentido de ajudar, uma vez que estás associações foram criadas para profanar a opinião pública.

DarkMinded disse...

Muito se disse já, o que eu digo é deixem os tribunais decidir, tem de haver provas concretas das coisas, alem disso a história é contada do meio para o fim fazendo uma leve referencia a um principio que até parece bastante importante, tudo isto começou com uma Discussão que acabou em violência na estação da amadora, olhem bem para as horas, que comboio foi esse que ás 4h da manhã deixou alguém na estação, ou estavam na estação a fazer o que?
Meias verdades podem ser piores que mentiras, obviamente que a policia não devia meter um dedo em quem quer que seja, quanto a mim quem não obedece-se a uma ordem de prisão devia levar um balásio na perna, quem tem a frieza de fugir de um policia que tem uma arma apontada a si á queima roupa é porque tem já uma preparação psicológica para estas situações que não devia ter, parece que não tem medo de morrer, ou então sabe que o policia não vai disparar, a maioria dos seres humanos não tem essa capacidade de pensar com frieza numa situação de perigo de morte, pelos vistos pelo menos 1 destes jovens tem.
Estes são os factos, agora deixem o tribunal decidir o que aconteceu.

Paulo cravo disse...

Quem acredita em notícias destas, tb acredita no Pai Natal...
Sinceramente, essa "verdade cega" que aqui apregoam não tem pés nem cabeça, são "histórias" típicas de quem pretende fomentar o caos...
Acordem para a vida!!!

marco disse...

Pessoal deixem-se de tretas...
A bófia batia assim sem mais nem menos!!!!!!!!!
É que e escumalha "preta e branca", vira-se logo à polícia, uma vez assisti a tres blacks a quererem bater num policia só pelo simples facto de ele ser bófia