Mostrar mensagens com a etiqueta Casos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casos. Mostrar todas as mensagens

04/06/2011

Em Esquerda.net

Polícia agride e detém manifestantes na "Acampada" em Lisboa

Cerca de 20 elementos da Polícia Municipal e do Corpo de Intervenção da PSP invadiram este sábado a praça do Rossio, agrediram os manifestantes, e detiveram três pessoas que participavam na "Acampada" em Lisboa. Para este espaço está agendada uma Assembleia Popular, com início às 19h.
ARTIGO | 4 JUNHO, 2011 - 17:20

Imagens da "Acampada" de Lisboa logo após as intervenções das forças de segurança.
Imagens da "Acampada" de Lisboa logo após as intervenções das forças de segurança.


Segundo relatos de manifestantes presentes no local, 20 elementos da Polícia Municipal e do Corpo de Intervenção da PSP agrediram, à bastonada, e sem qualquer justificação plausível, vários elementos que participavam na "Acampada" em Lisboa. Foram detidos três manifestantes. A primeira detenção foi a de um cidadão que estaria a colocar, como tem sido comum nos últimos dias, uma corda para montar um toldo. O segundo detido estaria, por sua vez, a filmar os acontecimentos, tendo-lhe sido exigida a entrega do seu telemóvel. Os três detidos foram levados para a esquadra.

Aquando a intervenção das forças de segurança, estariam no Rossio já cerca de 50 pessoas, sendo que, por volta das 17h, este espaço já contava com mais de 200 manifestantes, sempre sob a vigilância da PSP, que mantém no local duas carrinhas do corpo de intervenção, e da Polícia Municipal.

Os elementos da polícia apreenderam vários materiais, inclusive computadores e máquinas fotográficas.

O movimento tinha agendado para este sábado, pelas 15h, uma concentração no Rossio com microfone aberto para todos aqueles e aquelas que quisessem intervir. Para as 17h estavam também convocadas reuniões dos diferentes grupos de trabalho e, pelas 19h, irá realizar-se uma assembleia popular.

No manifesto aprovado recentemente, o movimento afirma que o que os une e mobiliza é a "a indignação perante a situação política e social sufocante que nos recusamos a aceitar como inevitável". Ao criar o acampamento no Rossio, juntaram-se "àqueles que pelo mundo fora lutam hoje pelos seus direitos frente à opressão constante do sistema económico- financeiro vigente.
Fábio Salgado

02/05/2011

PSP espanca e persegue manifestantes pacíficos no 1º de Maio em Setúbal

Partilhamos o texto do Ricardo Noronha, retirado do Vias de Facto.

Estive ontem em Setúbal e pude testemunhar pessoalmente (e até de bastante próximo) os acontecimentos no bairro da Fonte Nova. Para não variar, a PSP está a fabricar novamente uma versão à sua conveniência, somando vários pontos ao seu conto, de maneira a transformar a sua violência repressiva num gesto de defesa dos cidadãos.

A primeira coisa que deve ser destacada é que a manifestação - cerca de centena e meia de pessoas - percorreu toda a cidade sem qualquer incidente, sendo apoiada e saudada por vários setubalenses pelos quais passou e que receberam com interesse os panfletos distribuídos. Apesar de não ser acompanhada por qualquer agente da polícia, todos os automobilistas foram pacientes e respeitadores do direito de manifestação, aguardando enquanto o cortejo passava e demonstrando por vezes o seu apoio às palavras de ordem e às faixas. O mesmo aconteceu com os vários proprietários de restaurantes e cafés localizados no bairro da Fonte Nova, inclusive os que estavam no largo onde tudo viria a acontecer.

A segunda coisa que deve ser destacada é que a manifestação coincidiu com a da CGTP em parte do percurso, aguardando que o desfile sindical passasse para assumir posição na sua cauda. Cada um dos cortejos gritou as suas palavras de ordem (que eram, naturalmente, muito diferentes) sem qualquer tipo de incidente ou hostilidade a assinalar.

Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso.

O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.

Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra.

Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundo chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.

Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ), começaram a espancá-los no chão e a atirar-lhes gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.

O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito". Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.

Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente.

A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um romance policial de escassa qualidade.

Tornou-se um hábito a polícia responder com bastonadas às ideias que considera perigosas e subversivas. Que tenha passado às balas demonstra apenas a sua desesperada lucidez. Nos conturbados tempos que correm - quando se prepara um gigantesco roubo organizado aos trabalhadores e aos pobres a pretexto da crise - até os mais pequenos gestos de revolta e recusa podem assumir proporções inesperadas. Sem legitimidade nem representatividade nem soberania, o Estado português demonstra que lhe resta apenas um aparelho de violência para lançar sobre os que se organizam para lutar. Cem anos depois dos tiros da GNR sobre operárias grevistas, naquelas mesmas ruas de Setúbal, a oligarquia que governa demonstra não ter aprendido nada nem esquecido nada. O que se passou naquelas ruas tem como alvo todos aqueles que não aceitam submeter-se e resignar-se perante a escandalosa jogada mafiosa da classe dominante portuguesa. Todos os que dizem não. Todos os que se cansaram de assistir ao jogo e decidiram começar a jogar.

24/02/2011

Ataque a autocarro no Seixal foi acto de "revolta" contra a polícia

PSP mobilizou meios para a Arrentela para evitar repetição de distúrbios do fim-de-semana. Câmara recusa ideia de que haja problemas graves e considera que foi "uma situação pontual" in Público


"Nu ka kré más riprison polisial"
O autocarro incendiado no domingo na Arrentela, concelho do Seixal, terá sido uma forma de chamar a atenção contra a actuação da polícia naquela zona. A alegada agressão de Dutchu Pedro Sá, no sábado, terá sido a gota de água "de todo um acumular de situações de abuso", contou uma testemunha, que, como quase todas, pediu para não ser identificada. A PSP, pelo contrário, nega existir qualquer relação entre este incidente e os desacatos do último sábado. Ontem esteve discretamente no Bairro da Boa Hora, um sítio onde o ambiente acalmou depois de um fim-de-semana agitado.

Sónia vive há 25 anos no bairro onde os ânimos andaram exaltados. É animadora do Centro Comunitário da Arrentela. Uma instituição fre- quentada, em tempos, pelo próprio Dutchu, e que fica encostada ao es- tádio. Na rua, o sol vai alto e as crianças brincam. Aparato policial, nem vê-lo, apesar de a PSP ter informado que havia mobilizado meios para evitar que se repetissem os distúrbios da véspera. "Aquilo foi uma forma de mostrarem a sua revolta contra o que lhe fizeram no outro dia", acrescenta.

Alegadamente, Dutchu Pedro Sá terá sido agredido e detido pela PSP, de acordo com uma dezena de testemunhas ouvidas anteontem pelo PÚBLICO. O rapaz foi hospitalizado. Fonte policial negou então que tivesse havido qualquer agressão, sustentando que Dutchu teria agredido os agentes e vandalizado a viatura da PSP. Nesse mesmo dia, os ânimos exaltaram-se, o contingente policial foi reforçado e queimaram um carro - que até era procurado por ter sido dado como roubado - e vários baldes do lixo.

Polícia desvaloriza
Um dia mais tarde, foi a vez de um autocarro da Transportes Sul do Tejo ser incendiado no Bairro da Boa Hora. Já depois das 21h00, um grupo de indivíduos imobilizou a viatura numa paragem. O motorista foi obrigado a sair, tal como os passageiros que iam a bordo. O grupo regou o interior com gasolina e ateou o fogo ao autocarro. Pouco depois só restava a carcaça da viatura.
A PSP considera que os incidentes são "pontuais", acrescentando que as situações de conflito naquela zona são "espartilhadas no tempo" e resolvidas "de imediato". Uma opinião partilhada pela Câmara Municipal do Seixal, que, em comunicado, garante que "estes fenómenos de perturbação da ordem pública são provocados por pequenos grupos, que não são representativos da maioria da população".

Território multicultural
Quanto aos residentes, a autarquia diz apenas que o território é "culturalmente multifacetado", remetendo mais esclarecimentos para a Junta de Freguesia da Arrentela.

Apesar de o autocarro ter ardido exactamente na mesma zona onde se registaram os desacatos do dia anterior, a PSP garantiu ao PÚBLICO que não há "qualquer relação entre a situação da detenção do cidadão Dutchu Sá e os incidentes que se seguiram no sábado e domingo à noite na Arrentela-Seixal".

Ontem à tarde, o ambiente era pacato. Na ressaca da noite anterior, vários moradores afirmam nunca ter visto nada assim, e a maioria mostra-se tranquila.

"Está a ver a rua como está agora, com as pessoas a passearem normalmente sem que nada lhes aconteça? É sempre assim, aqui toda a gente se conhece e se dá bem", conta uma moradora, com pronúncia africana, que vive há mais de 30 anos no bairro. "Pssst, minha senhora, diga-me uma coisa: alguma vez foi roubada aqui?", questiona um rapaz jovem que conhecia Dutchu e que pede para também não ser identificado nem fotografado. "Eu não!", respondeu a transeunte, já de idade, sem grandes hesitações.

25/11/2010

PSP reprime artistas em plena Greve Geral

No dia 24 de Novembro, a PSP reprimiu violentamente (com empurrões e bastonadas) o piquete de Greve de trabalhadores do espectáculo. Pior, recusaram-se a apresentar a sua identificação. Fascismo.

22/09/2010

A busca inesperada de produto

 No dia 6 de Setembro, houve registo de mais um caso de mau trato por parte da Polícia de Segurança Pública (PSP). Desta vez, ocorreu na zona da Amadora. A Plataforma Contra a Violência Policial já se encontrou com a vítima, que referiu nunca pensar ser possível tal situação em Portugal. Revelou-nos o seu testemunho, mas devido ao seu estado preferiu preservar a sua identidade. Neste momento, ele necessita tanto de apoio jurídico, como de apoio psicológico, ao qual a Plataforma está a tentar dar-lhe o apoio possível.

Aqui fica o seu relato e testemunho:
"Chamo-me, João Miguel e tenho vinte e oito anos (nome e idade fictícios).
  Porque fui vitima de chantagem e sofri ofensas à integridade física por parte de quem deveria proteger-me, venho então, por este meio denunciar e pedir ajuda jurídica.
  No dia seis de Setembro (segunda feira), por volta das dezoito horas, dirigia-me para a paragem de autocarro! Quando, no cruzamento da rua de Goa com a rua Dom Francisco de Almeida (Venda Nova, Amadora), sou abordado por um carro patrulha da P.S.P.. Saíram do carro dois agentes de cassetete em riste, um deles encostou a cara dele à minha e  gritando impropérios, ameaçou-me de agressão física e perguntou de uma forma exigente por "produto". Sem abrir a boca, pois estava estupefacto com o comportamento do agente,tirei do bolso cinco euros de haxixe (dois charros) e prontamente os coloquei em cima do "capôt" do carro. Ele pergunta se tenho mais, sempre a ameaçar-me com violência! Digo que não, ele agarra pela minha t-shirt e diz que vai revistar-me, eu anui, pedindo apenas que efectua-se a revista na esquadra (havia uma grande aglomeração de transeuntes e eu queria ser poupado a essa vergonha). Sem eu esperar, ele rasga-me a t-shirt, atira-me para cima do carro e virando-me ao contrário começa a simular uma revista, fingindo que me apalpa para me agredir, em seguida junta as minhas mãos às costas e algema-me, guiando-me para o banco traseiro do carro (o outro agente que era o condutor teve sempre um papel cinicamente passivo), levam-me para a esquadra.
  Ainda atordoado com esta situação, entro na esquadra (algemado) e sou alvo de chacota pelos demais agentes que se encontravam no hall. Levam-me para uma casa de banho tiram-me as algemas, ordenam que tire toda a roupa e que faça três agachamentos com o ânus virado para eles. Vexado fiz o que mandaram, com esperança que logo, logo, estaria na rua. 
  Depois de estar vestido vou ao balcão central pedir o meu bilhete de identidade, o chefe que estava de serviço disse que eu não estava detido, que poderia ir embora, só precisava de assinar um documento e a seguir dava-me o meu B.I.! Para meu espanto, reparo que esse documento estava previamente preenchido, com excepção ao espaço destinado à quantidade de droga apreendida. Recusei assinar e contestei aquele hiato em branco, aleguei que só assinaria o mesmo todo preenchido de uma forma honesta. Ele (o chefe) disse para me sentar e aguardar um pouco, pois iriam pesar aquilo noutro sítio.        
  Reparei que o haxixe ainda estava no mesmo sítio e que eles possuíam uma balança digital. Pedi de novo o meu bilhete de identidade e voltaram a dar-me o documento para assinar. 
  Começo a perceber que estava a ser alvo de chantagem, ser querer acreditar naquilo que estava a viver, pedi pela quarta ou quinta vez para me entregarem o B.I.! Com maneirismos de alguém que se julga superior, voltam a por o documento à minha frente e tornam a dizer que posso ir embora, que nunca estive detido. 
  Desesperado viro costas e venho embora, tendo ainda oportunidade de ouvir uma voz a dizer:
  -Epá, desaparece c******.
  Sem saber o que fazer, com um sentimento de impunidade e revoltado como nunca estive, dirigi-me à esquadra de Benfica para efectuar um auto de denuncia. Estava com muito medo, mas lá consegui coragem para entrar, tive a sorte de ser atendido por um agente (chefe) profissional e honesto (felizmente não são todos iguais). Esse agente auxiliou-me a preencher uma notificação e enviou-me na manha seguinte para o Instituto de Medicina Legal. 
  No dia nove de Setembro, voltei à esquadra de Benfica para pedir um comprovativo de que o meu bilhete de identidade havia sido retido ou furtado. Hoje a minha identificação é uma declaração passada pela PSP para justificar um furto da PSP (irónico). 
  Estou desempregado, não tenho posses para um advogado, por isso peço a vossa ajuda! Quero fazer um pedido de indemnização civil, todo o dinheiro da indemnização deverá reverter para uma instituição carenciada. "



13/07/2010

"Operação Tinta" da GNR no qual os moradores queixaram-se de violência policial.





Notícia publicada ontem pelo jornal Expresso, acerca da operação "Tinta" em Vila Nova de Gaia:
A GNR conduziu onze pessoas ao posto de Gaia, suspeitas de dezenas de assaltos cometidos nos últimos meses nas zonas Norte e Centro de Portugal. Em Gaia, a Guarda apreendeu um elevado número de objetos furtados.
As oito buscas domiciliárias da GNR incidiram em residências de Gaia, em especial na freguesia de São Félix da Marinha, visando recuperar material furtado maioritariamente em estabelecimentos comerciais de restauração nos distritos do Porto, de Aveiro, de Viana do Castelo e de Viseu.
Na operação "Tinta" (que o Expresso acompanhou de perto, com autorização da GNR), o Destacamento da GNR de Vila Nova de Gaia teve o apoio da Companhia de Operações Especiais, oriunda de Lisboa, devido à "perigosidade de alguns suspeitos", revelou ao Expresso o capitão Rui Ferreira.
"Estão em causa furtos e roubos [neste caso com violência] cometidos nos últimos tempos nas regiões Norte e Centro de Portugal e estamos a investigar este grupo altamente organizado deste Outubro de 2009", acrescentou aquele oficial da GNR no final da operação, que incidiu no Bairro do Facas, numa freguesia de Vila Nova de Gaia que faz fronteira com o concelho de Espinho.
Durante a operação da GNR, diversos moradores queixaram-se de "violência policial", aquando da primeira intervenção da GNR no referido bairro de Gaia.
As queixas de familiares e vizinhos dos suspeitos aos jornalistas visaram as equipas da Companhia de Operações Especiais (COE) da GNR de Lisboa, uma unidade de reserva que atua de negro e encapuzada, com material de guerra. "Eles entraram encapuzados e rebentaram tudo", disse ao Expresso Maria Rosário, cuja casa foi uma das visadas pelas buscas da GNR de Gaia.
"As crianças, algumas filhas dos detidos, quando esperavam a camioneta da 'Gaia Social' para irem para a praia, deram pela intervenção da GNR. Ficaram traumatizadas ao verem os pais detidos por homens encapuzados com metralhadoras", acrescentou Maria do Rosário, mãe e irmã dos três detidos pela GNR.
"Foi a 'canalha' que deu o alerta, aos gritos", explicou Augusto Maia da Silva, vizinho dos suspeitos e presidente da Comissão de Festas do Santo António. "A GNR confiscou dinheiro que era da nossa festa", afirmou no local aquele responsável pela vida associativa dos moradores, recentemente deslocados para o Bairro do Facas, oriundos de vários bairros sociais, entre os quais o Bairro do Aleixo, no Porto.

30/06/2010

Notícia na imprensa Inglesa




Richard Lewis, 44, claims to have been attacked in Lisbon on Saturday 29 May.


Mr Lewis, an IT consultant who previously worked in Portugal for six years, had returned to the country for a holiday, and was drinking in Lisbon's busy Bairro Alto area with a friend, Robert Drayson, when the alleged incident occurred.
"We were standing outside a bar with our drinks when a policeman suddenly arrived and handcuffed a woman," said Mr Lewis.

"Within seconds, a group of other police officers arrived and began moving people away from the scene. I don't know what the woman had done, but they were using what seemed to be unnecessary force against her, pushing her to the ground. Onlookers were visibly shocked, and Robert took a few photos on his phone."

Mr Drayson was immediately asked to hand over his phone, and when he refused, Mr Lewis said the police became increasingly aggressive.

"I speak Portuguese, so I spoke to the police very calmly, explaining that my friend needed his phone for his work, and that he wasn't involved in what was going on. They totally ignored me. Eventually, however, the officer holding my friend loosened his grip, and I turned to go.

"It was at this point that the officer swung his baton directly in my face."

Mr Lewis was knocked onto the floor by the force. "The blow had split my nose, breaking it, and the bones were protruding through. None of the police checked to see if I was dead or alive, and no one called an ambulance."

Mr Lewis's story was afterwards widely reported in the Portuguese media.

"I lived in Portugal for many years, and I have more friends there than I do in Britain. But in all my time there, I never saw the police act like this," he said.

"Expats and tourists are always told to be on the lookout for pickpockets and the like, but I would warn them now to be careful around the police too. This happened on a busy night, in an area roughly equivalent to London's Soho, and to an innocent person.

"The men who came into that street were just thugs in uniforms."

A spokesman from the Foreign and Commonwealth Office said that they had little information on the case, but "we have the media reports and stand ready to provide consular assistance if requested".

A spokesman for the Portuguese police said that the subject was under criminal investigation and that according to Portuguese law, no further information could be given.

They added however: "This matter is also being analysed by our internal affairs in order to determine if there was any kind of misuse of police force and apply the correspondent disciplinary measure."

25/06/2010

No fim do jogo, mais violência policial

Mais um "arrastão" na ressaca da resposta que o senhor ministro da ademenisteração interna deu à deputada Helena Pinto.

Vamos ao caso. Acaba o jogo entre Portugal e o Brasil e os adeptos no Parque das Nações são surpreendidos por uma confusão que começa, alega o intendente Azevedo Ramos, da PSP, quando alguns adeptos que assistiam ao jogo no Parque das Nações e "praticaram actos de vandalismo" em alguns automóveis ali estacionados. Ora, não há nem queixas nem imagens de carros vandalizados. Não há imagens de confusão nenhuma, a não ser de polícias a apontarem armas a pessoas que se afastam, assustadas.
A polícia mandou fechar e evacuar os bares da área (falta saber o prejuízo) sem conseguir comprovar nenhuma ameaça substancial.

A impunidade sobre o abuso de violência da PSP está a dar nestes aparatos de balas de borracha e de confusão sem razão.
Os jornalistas perguntaram - e nós continuamos a esperar pela resposta - o que aconteceu no Parque das Nações? Onde estão os vândalos? Se existiram, como não foram detidos no meio de tantos agentes?


Há questões que não podem esperar eternamente pelas respostas. As forças policiais têm de ter ordens claras que definam a sua forma e o seu campo de acção.

As acusações de xenofobia por parte das/os adeptas/os que estavam no recinto montado para ver o jogo são a resposta natural de pessoas violentadas sem razão.

Vejam aqui os vídeos da SIC.

23/06/2010

Violência Policial na Amadora, notícia TVI24.pt

O relato, pormenorizado, começou a ser divulgado na internet como mais um crime de abuso policial. Dois jovens, Jakilson Pereira de 26 anos (rapper conhecido como Hezbollah) e Flávio Almada de 27 anos (também rapper e conhecido como LBC) dizem ter sido agredidos e ameaçados por vários agentes da PSP.
Contactados pelo tvi24.pt, afirmam que o caso aconteceu na madrugada de domingo 13 de Junho, pouco antes as 5:00. «Tinha havido uns problemas entre o meu amigo e uns jovens, mas já estava resolvido», começa por contar Flávio Almada. Explica depois que, nessa altura, chegou um carro da polícia. «Eu não estava envolvido em nada e por isso nem corri. Não fiz nada».
«Eles correram depois atrás dele com uma arma na mão» - explicou depois - «Eu ainda disse que ele estava desarmado, mas um disparou um tiro». Continua a contar que os agentes agarraram Jakilson Pereira e começaram a dar-lhe pontapés. «Eu disse: "não podem bater-lhe". E foi quando vieram atrás de mim e algemaram-me, puseram-me um pé em cima da cabeça e começaram a dar-me pontapés».
Contam depois que foram levados para a esquadra, onde as agressões continuaram ao ponto de Jakilson Pereira ter vomitado na sequência dos socos. «Depois pegaram nele e arrastaram-no para trás e para a frente, como se fosse um pano de chão em cima do vómito», continuou a relatar Flávio Almada.
Os dois jovens foram depois libertados, mas informados de que deveriam comparecer em tribunal, onde foram ouvidos por ofensas à integridade física a agentes de autoridade, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação termo de identidade e residência.
«Há muito tempo que eles andam atrás de mim. Isto foi só um pretexto»
«Eu não percebo o que se passou porque eu não fiz nada», garantiu Flávio Almada. Mas, para Jakilson Pereira, a explicação é clara. «Eles andam atrás de mim desde que eu comecei a fazer barulho por eles baterem e matarem pessoas que não fizeram nada» [o rapper foi um dos presentes numa manifestação aquando da morte de jovem pela polícia na Amadora].
«Há muito tempo que eles andam atrás de mim. Isto (desacatos ocorridos naquela noite) foi só um pretexto», garantiu Jakilson Pereira, que conta que, noutra situação, agentes da PSP o agrediram e «partiram o nariz», tendo-o depois acusado de agressão. «Foram para tribunal mas não tinham provas, por isso, nem o juiz nem o Ministério Público acreditaram», explicou, contando que a sentença que o absolveu foi conhecida há cerca de um mês.
Tanto Jakilson Pereira como Flávio Almada garantem que vão apresentar queixa contra os agentes. «Eles já ameaçaram que eu um dia ia aparecer morto. Sei que tenho a vida em risco, mas não vou morrer como um cobarde», garante.

21/06/2010

Mais um crime de abuso policial, desta vez na Amadora



“Às 4:55 horas da madrugada de domingo 14 de Junho, no Parque Central da Amadora, um grupo de jovens, entre os quais Jakilson Pereira, 26 anos, licenciado em Educação Social, desempregado e candidato a bolsa de investigação, dirigiam-se para a Mina, Amadora.

Jakilson, que também é rapper e é mais conhecido como Hezbollah, agachou-se para apertar os atacadores dos ténis. De repente sentiu um automóvel aproximar-se dele. Levantou a cabeça e viu um homem com uma arma apontada na sua direcção que gritou “Caralho!” Assustado, Hezbollah correu na direcção do seu amigo Flávio Almada, 27 anos, estudante finalista do curso de Tradução da Universidade Lusófona, também rapper e mais conhecido como LBC, mediador sociocultural na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira e formador musical de jovens inseridos no Projecto Escolhas do Moinho da Juventude e da Comissão de Moradores da Cova da Moura. LBC disse ao agressor: “Ele está desarmado!”, referindo-se ao seu amigo Hezbollah. Nesse momento, o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. O homem estava fardado, era da PSP e tinha sido transportado para o local por um automóvel da PSP.

Hezbollah continuou a fugir e foi esconder-se por trás de um automóvel junto à Estação dos Correios, observando a progressão do agente da PSP que o procura de arma na mão. O agente detecta-o e corre na sua direcção. Sai outro agente do automóvel e ambos cercam Hezbollah. Agarrando-o sob ameaça da arma, começaram a pontapeá-lo. Chega um automóvel Volkswagen Golf preto, com dois polícias à paisana. Enquanto um dos agentes fardados algema Hezbollah, obrigando-o a deitar-se de barriga no chão, o outro polícia fardado volta a dar-lhe pontapés. Um dos agentes à paisana exclama: “Deixa o rapaz!”

Entretanto LBC tinha-se aproximado para tentar socorrer o amigo. Os polícias fardados agarram-no, deitam-no ao chão e algemam-no, pontapeiam-no e depois metem-lhe um pé sobre a cabeça e tiram-lhe a carteira e o telemóvel.

Levam-nos – cada um dos detidos no seu automóvel – para a Esquadra da Mina, na Avenida Movimento das Forças Armadas 14. Aí aparece o agente Monteiro e pergunta a Hezbollah, agarrado pelos braços por dois outros agentes para o manterem sentado numa cadeira: “Estás preparado?” e começa a dar-lhe socos e joelhadas na barriga. Hezbollah vomitou em consequência dos dois primeiros socos. LBC também é sovado. Um dos agentes comenta a certa altura: “Aqui estão os dois gajos. Qual de vocês é que tem um caso com a polícia?” Hezzbollah foi absolvido há cerca de um mês da acusação de ter partido dois dedos a um polícia, quando na realidade o que aconteceu foi que, ao voltar para casa à noite, foi cercado por vários polícias, que o deixaram inanimado, sem sapatos e sem casaco, num terreno vago, depois de barbaramente espancado, a ponto de lhe partirem a cana do nariz.

Metem-nos de novo no automóvel e levam-nos para a Esquadra do Casal da Boba, na Amadora. Depois de os encostarem a uma parede, o agente Nunes dessa esquadra dá um forte pontapé no estômago de Hezbollah, enquanto outros agentes o seguram e batem para o impedir de se encolher a proteger-se da agressão. Um dos polícias comenta: “Qualquer dia vão encontrar o teu corpo morto na mata de Monsanto”. Tiram fotografias aos dois detidos. LBC é colocado ao lado de Hezbollah e um dos polícias acusa LBC de ter em seu poder um telemóvel roubado. Ele nega e é-lhe devolvido o telemóvel, que lhe tinha sido confiscado e levado para outra sala, depois de verem as mensagens e chamadas.

Foram levados de novo para a Esquadra da Mina. Lá chegados, os detidos repararam na presença do rapaz e da rapariga com quem Hezbollah e LBC tinham trocado palavras que provocaram uma cena de socos entre Hezbollah e o rapaz, na Estação da Amadora.

Repete-se a cena de Hezbollah, ainda algemado, ser agarrado pelos ombros e braços e agredidos a soco no estômago pelo agente Monteiro. LBC interpela-os dizendo “Porque é que estão a fazer isso?” e foi imediatamente agredido a pontapé pelos dois agentes que o enquadravam.

O agente diz-lhe que vai ter de limpar o vomitado com a boca. Hezbollah recusa-se e o agente Monteiro e o agente Ferreira – que tinha tirado o crachá – Insistem: “Vais limpar, vais limpar” e, segurando-o, lançaram-no por cima do vómito e arrastaram-no para trás e para a frente, como se fosse uma esfregona, até o vómito ensopar por completo as calças, o casaco. Num canto ainda ficou um resto de vómito. O agente Monteiro pega no boné de Hezbollah e lança-o sobre esse canto e, colocando-lhe o pé em cima, esfrega-o sobre o vomitado. O agente Monteiro deixou de lhe dar socos mas passou a dar-lhe pontapés, chamando-lhe “porco”.

Os detidos ficaram ali até às onze horas e tal da manhã, altura em que lhes passaram um papel para comparecerem no Tribunal de Alfragide às 10h do dia 14 de Junho e os deixaram sair da esquadra, depois de, pela primeira vez, os desalgemarem. O documento refere-os como arguidos e acusa-os de “agressão à integridade física”, sem referir a quem.

LBC e Hezbollah passaram todo o dia de domingo nas suas respectivas casas (Reboleira e Amadora respectivamente).

Na 2ª feira apresentaram-se ao tribunal, onde encontraram os agentes Monteiro e o outro torturador, o agente Ferreira, ambos à civil. Também estavam presentes o rapaz e a rapariga com quem Hezbollah tinha trocado palavras e socos na Estação da Amadora. Os polícias deram-lhes dois chocolates Twitters. Perante isto, LBC e Hezbollah disseram no seu depoimento que um amigo deles que estava presente naquele episódio e tentara acalmar os ânimos devia ser chamado para o seu testemunho ser confrontado com o deles. A funcionária do tribunal perguntou a Hezbollah se queria um advogado oficioso e ele recusou,. A funcionária tomou nota de toda a ocorrência, e deu a ler o depoimento aos detidos, que assinaram.

O caso vai ser investigado. A funcionária recomendou a Hezbollah que não lavasse as roupas sujas com vómito.

Neste momento Hezbollah e LBC não têm advogado que os defenda e sabem que, se nada for feito para dar publicidade a esta situação, continuarão a ser alvo da brutalidade policial. Foi o que aconteceu com Tony da Bela Vista, Teti, torturado até morrer de hemorragia interna, Angoi, morto com dois tiros nas costas, PTB abatido dentro do carro, Snake, assassinado com um tiro nas costas quando conduzia o seu automóvel, Corvo, abatido com um tiro na cabeça, Kuku, morto aos 14 anos com um tiro a 12 cm da cabeça, Célé, morto com 62 balas, etc”.

Ana Barradas

03/06/2010

PSP: ferimentos foram causados em desacatos entre os jovens - TVI

Notícia TVI/ IOL
A noite de violência registada este sábado no Bairro Alto tem rostos marcados. Os jovens arguidos por agressões à polícia acusam as autoridades, mas a PSP diz que os ferimentos foram causados por desacatos ocorridos antes da chegada ao local.
Segundo o auto de notícia a que o tvi24.pt teve acesso, a polícia diz que foi chamada devido a uma desordem com cerca de 15 indivíduos e que ao chegar ao local já alguns jovens apresentavam a «cabeça ensanguentada devido aos ferimentos, provavelmente causados pelos desacatos» alegadamente registados antes da chegada da polícia. A Polícia diz ainda que o pânico estava instalado na rua e que foi necessário chamar reforços.
Alguns dos jovens terão fugido e outros insistiram em permanecer no local atirando garrafas de vidro e pondo desta forma «em perigo» os agentes e as pessoas que ali estavam e que se tentavam proteger das garrafas, até porque era uma noite de fim-de-semana e o local estava «repleto de pessoas».
A polícia acusa ainda Pedro Pereira de atirar uma garrafa contra os agentes e de esta ter partido aos pés dos memos, sem, no entanto, causar ferimentos aos agentes. Ainda segundo a descrição dos factos feita pela polícia, os jovens terão insultado os agentes policiais de diversas formas e não terão acatado uma ordem para cessarem com os arremessos.
A polícia alega também que todos os indivíduos ficaram cientes dos factos que os levaram à detenção e que prescindiram de tratamento hospitalar. Os polícias apesar de todos os «empurrões» não sofreram qualquer ferimento. 

Do relatório, consta ainda a informação de que os cinco detidos prescindiram do direito de dar conhecimento do caso a familiares ou a um Advogado. Os jovens foram ainda levados à Polícia Judiciária onde foram retiradas as impressões digitais e as fotografias de referência.
Os jovens apresentam várias escoriações no rosto e no corpo. Marlene sofreu lesões num tímpano. Sérgio também sofreu lesões num tímpano e ficou ainda com um dente partido conforme foi possível confirmar no relatório médico.
A PSP informou que já mandou instaurar um inquérito , mas que os indícios não apontam para qualquer violência policial.
Este é o terceiro caso de suspeitas de violência policial apenas numa semana, sendo que dois dos casos foram registados na esquadra do Bairro Alto.

Marcado para dia 28 julgamento de jovens suspeitos de desobediência à PSP no Bairro Alto - Público

Notícia de Marisa Soares - Público

O julgamento, previsto para hoje, dos cinco jovens suspeitos de desrespeitar a PSP no Bairro Alto, em Lisboa, na madrugada de domingo, foi adiado para 28 de Junho, disse um dos advogados dos arguidos.

Em paralelo com este processo, foi apresentada pelos jovens uma queixa contra os agentes policiais, por alegadamente terem sido agredidos na altura.

A decisão de agendar o julgamento para dia 28 foi hoje conhecida no Campus de Justiça, nos Juízos de Pequena Instância Criminal, tendo sido negada na ocasião a conexão dos dois processos judiciais, dado que se encontram “em fases processuais distintas”, disse a juíza do processo.

José Carlos Cardoso, advogado de um dos arguidos, disse aos jornalistas que o caso é demonstrativo de “violência policial”. “As marcas estão nas pessoas”, frisou, referindo-se às mazelas físicas apresentadas pelos arguidos.

Contactada pela agência Lusa, fonte da PSP disse que o caso “está a ser investigado” de modo a “averiguar o que se passou” na madrugada de domingo, guardando mais esclarecimentos para a conclusão do processo.

Processo sumário de agressões adiado



Jovens acusados de agressões à PSP, em Lisboa, também apresentaram queixa contra a polícia
Ficou adiado para 28 de Junho o julgamento sumário, no Tribunal de Pequena Instância Criminal, no Campus da Justiça, em Lisboa, de cinco jovens que são acusados pela PSP de ofensas à integridade física de alguns agentes. Este adiamento deve-se "ao pedido da conexão deste processo a um outro em que estes jovens acusam a mesma PSP de os ter agredido e para preparar melhor a defesa", diz ao CM um dos advogados, José Carlos Cardoso.

As marcas de agressões eram ontem ainda bem visíveis no corpo dos cinco arguidos. Os jovens dizem-se agredidos sem razão, pela PSP, na madrugada de domingo, no Bairro Alto e depois já na esquadra. Um cidadão inglês, que estava de passagem, ficou ferido no nariz. Pondera agora processar a polícia.
O porta-voz da direcção da PSP, Paulo Flor, disse ao CM que "já foi aberto um inquérito interno para apurar o que se passou".


02/06/2010

Polícias acusados de Agressão - TVI


Notícia de TVI de 31 de Maio de 2010.

Marcado para dia 28 julgamento de jovens suspeitos de desobediência à PSP no Bairro Alto


Em paralelo com este processo, foi apresentada pelos jovens uma queixa contra os agentes policiais, por alegadamente terem sido agredidos na altura.

A decisão de agendar o julgamento para dia 28 foi hoje conhecida no Campus de Justiça, nos Juízos de Pequena Instância Criminal, tendo sido negada na ocasião a conexão dos dois processos judiciais, dado que se encontram “em fases processuais distintas”, disse a juíza do processo.

José Carlos Cardoso, advogado de um dos arguidos, disse aos jornalistas que o caso é demonstrativo de “violência policial”. “As marcas estão nas pessoas”, frisou, referindo-se às mazelas físicas apresentadas pelos arguidos.

Contactada pela agência Lusa, fonte da PSP disse que o caso “está a ser investigado” de modo a “averiguar o que se passou” na madrugada de domingo, guardando mais esclarecimentos para a conclusão do processo.





PSP investiga agressões a cinco jovens no Bairro Alto - Jornal i

Notícia do Jornal "i"


A PSP instaurou um processo interno para averiguar se a actuação policial nos desacatos entre agentes da polícia e um grupo de jovens no passado domingo foi adequada à "ameaça existente", explica ao i o comissário da direcção nacional da Polícia de Segurança Pública,Paulo Flor. 

Às 07h00 de domingo, dia 30 de Maio, os cinco jovens, detidos pela PSP no decorrer da madrugada no Bairro Alto, em Lisboa, deram entrada no Hospital de S. José, alegando "violentas agressões de elementos da PSP". Hoje às 10h00 os detidos e os polícias serão presentes a tribunal.

Alexandre Gonçalves, um dos jovens detidos, é fotojornalista e tinha passado a tarde na manifestação da CGTP em Lisboa "em trabalho". À noite foi jantar com um amigo que conhecera dois dias antes, Pedro Pereira. Durante o jantar conheceu Sérgio Henriques e os três - acompanhados por outros amigos - estavam a caminho do Bairro Alto. Nesse momento Alexandre viu uma rapariga no chão a ser pisada por um polícia. "Havia uma grande confusão, não consigo dizer quantas pessoas estavam envolvidas", recorda. 

De acordo com a polícia, eram 2h40 da manhã quando os agentes chegaram à Travessa da Boa Hora, depois de "alguém ter visto os desacatos" e ter telefonado. À chegada ao local os agentes foram recebidos com "apedrejamentos, arremesso de garrafas e injúrias verbais". Fonte oficial da PSP disse ao que a "confusão envolveu cerca de 15 pessoas". Até chegar o reforço, estavam apenas dois agentes no local. Alexandre Gonçalves nega que fossem apenas dois e assegura que não ocorreu nenhuma agressão física ou verbal a elementos da polícia. "Algumas pessoas, indignadas por verem uma rapariga no chão a ser pisada, gritavam: 'Cobarde, cobarde.'" Questionado pelo sobre as alegadas agressões a Marlene Pereira, Paulo Flor afirma que "os cinco cidadãos serão presentes hoje em tribunal", e portanto "até à conclusão do processo a PSP não confirmará nem rebaterá qualquer informação". 

Nos instantes seguintes, Alexandre, que conservava o material de trabalho, tirou a máquina para captar as agressões. "Foi a ideia mais infeliz que tive, porque nesse momento eles viraram-se a mim e começaram a bater-me." Segundo o fotojornalista, os agentes também lhe retiraram o cartão de memória. Nesse momento, os amigos Sérgio e Pedro entraram em sua defesa. Ainda na Travessa da Boa-Hora, a polícia deteve os três colegas, a rapariga e um outro rapaz (Rogério), diz Alexandre, "apenas por ter chamado cobardes aos agentes". Já na esquadra, os cinco jovens viveram "o horror". "Havia muita gritaria. Foi animalesco. Não paravam de bater", relata Alexandre, que conta que os cinco foram transportados posteriormente até à Polícia Judiciária, onde os identificaram e fotografaram. "Fomos estranhamente auxiliados, à saída das viaturas, pelos agentes da PSP, que minutos antes nos batiam com violência", recorda. "Não pareciam as mesmas pessoas. Deixaram o lado selvagem na esquadra", conclui. Passado algum tempo voltaram para a esquadra da PSP, onde foram novamente agredidos. Eram 7h00 da manhã quando deram entrada no Hospital de S. José, com hematomas graves. Sérgio Henriques saiu do hospital com um tímpano furado. A PSP, mais uma vez, não comentou ao estas informações, remetendo para as conclusões do processo interno a decorrer.

Este é mais um caso que se soma a outros incidentes que envolveram agentes da polícia nos últimos dias. Na madrugada de 25 de Maio, os estudantes Vasco Dias e Laura Diogo afirmam ter sido agredidos por agentes da PSP quando caminhavam em direcção ao Cais do Sodré. "Bateram-me até cair", contou ao o jovem, que às 4h30 deu entrada no Hospital de S. José com um maxilar fracturado. A ocorrência motivou uma manifestação contra a violência policial que decorreu no centro de Lisboa, também no passado domingo. Um dia antes, Tiago Galamba foi agredido por polícias no decorrer da mega-manifestação da CGTP. O manifestante assegura que não esteve envolvido em qualquer confusão com a polícia. O contactou o Ministério da Administração Interna, mas até ao fecho da edição não obteve qualquer resposta. 


"O que aconteceu dentro da esquadra foi animalesco. Eles não paravam de bater"

Editorial do Público de 2 de Junho de 2010

Insegurança pública?

As agressões atribuídas a elementos da PSP devem ser um sério alerta para todos, cidadãos e corporação

Quando a segurança dos cidadãos está em perigo, é suposto que a PSP actue. É, aliás, esse o seu nome (Polícia de Segurança Pública) e é essa a sua missão, como garante no seu próprio site: "Assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei". Mas quando a segurança dos cidadãos começa a ser posta em causa pela própria polícia, a quem recorrer? O que se tem passado no Bairro Alto lisboeta já não pode resumir-se a casos isolados mas a um padrão de comportamento. Há uma semana, dois jovens agredidos: ele com fractura do maxilar (teve de ser operado), ela com hematomas na cara e nos braços. A 21 de Maio, duas agressões a pontapés: um taxista, acusado de mau estacionamento, e um jovem que, por ter a ousadia de interpelar o guarda, foi agredido a pontapés, algemado e detido. Na madrugada de domingo, quatro jovens iam a passar quando viram um grupo de polícias em volta de uma rapariga. Segundo os seus testemunhos, ela estava deitada no chão, caída, um dos polícias prendia-lhe a cabeça com o pé e outros batiam-lhe com cassetetes. Um dos jovens tirou fotografias. Azar o dele. Tiraram-lhe a máquina das mãos e começaram logo a bater-lhe. Bateram também noutro, que intercedeu pela rapariga. Levaram todos para a esquadra e continuaram a bater-lhes. Uma noite de pesadelo, absolutamente inexplicável. O argumento, dado pela PSP, de que foi usada "a força necessária para controlar a situação" esbarra com a realidade: os cinco eram jovens pacatos que nunca tinham visto (muito menos sentido) nada assim. Se a PSP quer ser respeitada, que mude de métodos. Estes só servem para que sejam os cidadãos a mudar de passeio, receosos, sempre que virem um polícia.

(editorial do Público de hoje)

Polícia fere um cidadão a cada quatro dias


Notícia de TVI24.pt

A cada quatro dias um cidadão é ferido pela polícia. No ano passado 90 pessoas que se cruzaram com agentes acabaram feridas. Em cinco situações os indivíduos acabaram mesmo por ficar internados. «Consequências» da actividade das autoridades que não levam «praticamente» nenhum polícia ao castigo.
A Direcção Nacional da PSP fez a proposta e o ministro Rui Pereira assinou em baixo. Em 2009, 39 polícias foram demitidos ou reformados compulsivamente por crimes ou infracções disciplinares. Polícias que na maior parte dos casos desviaram dinheiro ou roubaram. Das quase quatro dezenas de casos «praticamente nenhum» está relacionado com violência policial.
Segundo fonte policial adiantou ao tvi24.pt, em 15 dos casos foi decidida a aposentação compulsiva e em 24 dos processos a pena a aplicar foi a mais dura, ou seja, a demissão da polícia. Casos em que, segundo o relatório a que o tvi24.ptteve acesso, a pena de «aposentação compulsiva» não se afigurava «suficientemente penalizadora da conduta».
O número de expulsões é praticamente inédito, uma vez que a grande maioria dos processos estava na gaveta há alguns anos. Dos casos fechados, em 2009, fazem parte diversos crimes como «burlas, corrupção, desvios de dinheiros, uso indevido de arma» e diversas infracções disciplinares. O que não faz parte deste bolo de processos, que acumulou desde 2005, são inquéritos a polícias que tenham «agredido de forma gratuita».
«De violência policial não há praticamente nenhum caso. Mas se houver é muito residual», adianta fonte policial, que, no entanto, frisa que não há tolerância na PSP para este tipo de crime e que todos os factos são investigados, sendo que, nos casos de vítimas mortais não só há existe um processo disciplinar, como um processo-crime, que normalmente é amplamente divulgado nos media.
Dois polícias e seis cidadãos mortos em 2009
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), no ano passado, foram registados seis mortos, cinco feridos com internamento e 85 feridos sem internamento, em consequência da actividade policial. O relatório não adianta mais pormenores sobre as ocorrências, o contexto das mesmas, nem se «os terceiros» feridos em combate com as polícias eram suspeitos de crimes contra as autoridades. O tvi24.pt tentou obter mais informações junto da Direcção Nacional da PSP, mas fonte oficial recusou fornecer a informação.
No mesmo relatório apesar de existiram menos mortos, mas mais feridos, a informação sobre as consequências sobre os agentes das forças de segurança aparece de forma mais detalhada.
Em 2009, dois polícias, um do SEF e outro da GNR perderam a vida ao serviço do Estado. Já feridos com necessidade de internamento foram registados 26 casos, sendo que 10 foram inspectores da Polícia Judiciária. Do relatório consta ainda o registo de 445 feridos que não necessitaram internamento e 447 que não receberam tratamento.
Ministro não revela relatório dos polícias
tvi24.pt tentou ainda obter o relatório de actividades da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), que segundo o Decreto Lei de 183/96 deve ser concluído até 31 de Março, e onde está a informação detalhada da fiscalização à actividade policial, mas apesar do pedido o gabinete do ministro Rui Pereira não deu qualquer resposta. Já a IGAI refere que o referido está em «apreciação pelo MAI».
Polícia vive «fase conturbada»
Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia, considerou que a polícia vive um período «conturbado» e tem de enfrentar situações complicadas ao nível da ordem pública e que muitas vezes é recebida com violência. «Tem havido um aumento de casos em que a polícia é chamada para uma situação e depois é confrontada com outra», disse.
Esta semana a PSP foi acusada de violência policial em pelo menos três casos link externo que estão já a ser investigados.

Cidadão inglês espancado pela PSP na mesma noite que os 5 jovens



Cidadão inglês foi brutalmente espancado e abandonado no chão do Bairro Alto no passado sábado. Um amigo dele estava a tirar fotografias a agentes da PSP que estavam a espancar a Marlene, prendendo-lhe a cabeça no chão com o pé.

Na mesma noite foram brutalmente agredidos 4 jovens que foram em defesa da Marlene, entre eles um fotojornalista que viu o seu cartão de memória "confiscado" pela PSP.

Até agora, a Plataforma Contra a Violência Policial já recebeu mensagens de solidariedade de inúmeros anónimos e de José Mario Branco, músico e produtor, João Salaviza, cineasta premiado em Cannes e Valete, músico.